04.28.08

“Senhora” - José de Alencar

Enviado em Literatura às 12:02 am de T.J.

Como sou fã de José de Alencar e já li algumas obras dele, minha resenha de hoje é sobre um dos livros que mais gosto, “Senhora”.

 

 

 

Enquadra-se na categoria romance urbano, mesmo com algumas características do realismo, é uma história dividida em quatro partes: O preço, Quitação, Posse e Resgate.

Aurélia Camargo, personagem principal da história era uma moça pobre que namorava com Fernando Seixas, um homem também pobre, porém ambicioso, que ao passar uma fase financeira ruim, a troca por um dote e uma proposta de casamento com outra mulher, uma moça rica chamada Adelaide Amaral.

Só que Aurélia dá a volta por cima, recebe uma herança de seu avô e torna-se uma das mulheres mais cobiçadas da sociedade carioca. Traz junto com sua herança uma vontade de vingar-se de seu antigo namorado, arquitetando um plano junto com seu tutor,seu tio Lemos, negociando seu casamento por um dote de 100 conto de réis, não pretendendo revelar a Seixas que era a noiva até as vésperas do casamento, completando seu plano na noite de núpcias, humilhando-o,deixando bem claro que o tinha “comprado” e atormentando sua vida com um “casamento de fachada”.

Aurélia,apesar da idade (18 anos apenas) era determinada, fria, cativante, linda e cobiçada (eu lia o livro e queria ser como ela), mas era verdadeiramente apaixonada por Fernando Seixas, possuía apenas uma raiva e um orgulho dentro de si, que a deixavam cega pela atitude que ele tomou no passado.

Fernando atende aos desmandos de sua “Senhora” durante algum tempo, porém retoma seu orgulho e começa a trabalhar pra devolver o dote e abandoná-la, apesar de também ser apaixonado por ela. Mas, Aurélia numa forma de demonstrar o seu amor, percebendo que ele tinha se regenerado, para não perdê-lo mostra-lhe o testamento que fez no dia do casamento que o tornava seu herdeiro universal. Os dois então deixam de lado todo orgulho e num final “bem piegas” se entregam ao amor que sempre sentiram um pelo outro, “consumando de vez o casamento”.

É uma história bem elegante,(apesar dos nomes bregas de novela mexicana) que mostra o poder do dinheiro sobre as pessos, além de um romance é uma crítica a toda a hipocrisia e ao interesse que rodeava a sociedade da época, (que não deixa de ser como nos dias atuais), é bem interessante, bom de ler, ”uma crítica água com açúcar”, como sempre digo, para os amantes de uma boa leitura e da literatura brasileira,divirtam-se.

04.21.08

O chapéu de Burroughs

Enviado em Literatura às 11:25 am de Budz

“Nathalia Lima, ou Lima, assim como a mesma prefere ser chamada, é estudante de jornalismo e uma grande amante da literatura mundial. Divirtam-se, pois foi divertido para a mesma colaborar com este texto!”

“Todos os viciados usam chapéu”. É difícil ver uma foto de Burroughs sem chapéu, como um velho dândi decadente. Burroughs, nascido em 1914, em Saint Louis no Meio-Oeste dos Estados Unidos, foi o “Grande FORA-da-lei da literatura”. Na verdade foi um fora-da-lei em todos os sentidos, desfilando pelo mundo com seus REVOLVERES e automáticas na cintura à procura e em fuga do mundo de bichas, gangsteres e viciados que tanto o perseguia.

“Não há literatura EXPERIMENTAL sem vida experimental”. Exterminador de ratos, JUNKIE, detetive particular, cineasta, escritor, homossexual, ator, datilógrafo, alienígena, pintor, poeta, foi até o SUBmundo das drogas, do México, de Tanger, de Paris, de Londres, do Marrocos, dos Estados Unidos, foi guru dos beats, hippies, punks – da CONTRACULTURA em geral, teve uma coleção de armas, teve uma coleção de gatos, teve uma plantação de maconha,no final de tudo declara: “o amor é a resposta”. Ele era o que dava na telha.

Uma bibliografia tumultuada, apesar de ter começado a escrever apenas depois dos 30 anos. Uma das influências mais importantes para Burroughs foi a biografia de um ladrão, You can’t win, que com certeza vira sua cabeça para a aventura e o CRIME – aqui aventura e crime sendo sinônimos para um garoto prisioneiro num subúrbio da alta burguesia. Em You can’t win Burroughs encontra todo um vocabulário de um mundo perdido e decadente – a linguagem é a senha - um “vislumbre de um submundo de pensões miseráveis, bares de sinuca, puteiros e casas de ÓPIO, de cortiços, arrombadores e comunidades de vagabundos” que ele procuraria depois ao longo de sua jornada. Essa influência é bem percebida no seu livro de estréia, Junky, onde conta a trajetória de William LEE (seu alter-ego) pelos inferninhos das cidades onde a droga é que manda. Daqui percebe-se a vontade do livro de ser “não-literário” – em vez de se espelhar em poetas decadentes ou escritores viciados, o que se tem é a influência direta, de um ladrão, de quem realmente cheirou o perigo. Por anos Junky foi considerado como fonte para biografia de Burroughs, mas, como disse o próprio GINSBERG, “trata-se da autobiografia de um único aspecto da carreira do autor (…), não pode ser considerada como um retrato do homem todo”. Isso é tanto que não há nenhum personagem para Ginsberg nem KEROUAC no livro, figuras que acompanharam Burroughs e travaram grande amizade.

“Life-is-a-CUT-UP”. Para Burroughs, os cut-ups estão mais próximos da percepção humana do que a narrativa linear. A todo momento a consciência é entrecortada por fatos aleatórios; cortes bruscos de pensamentos ou tudo ao mesmo tempo. Para chegar a esse cenário, Burroughs fazia sua narrativa “FRANKENSTEIN” pegando trechos de textos bíblicos, diálogos de filmes, jornais, de outros autores (enfim, o que passava pelos olhos) e pregando tudo ao seu texto, cortando e colando aqui e acolá: a Máquina Cut-up. A idéia é que você lê algo que muda de cenário a todo tempo, com saltos no tempo e no espaço, indo e voltando, ou tudo isso resolve acontecer ao mesmo tempo. Explicando uma extensão do método cut-up, o “the FOLD-IN method” (método de dobragem), Burroughs diz: “ uma página minha ou de outro, dobrada em duas verticalmente e posta sobre outra…o texto que se obtém é lido como um só texto devido as dobragens. A dobragem proporciona ao escritor uma amplitude infinita de possibilidades; por exemplo, tome uma página de RIMBAUD e dobre-a sobre uma de Saint-John Perse - dois poetas que têm muito em comum; dessas duas páginas surge um número infinito de IMAGENS, um número de combinações incalculável”. Burroughs incorporando ao texto esses elementos de colagem cubista e métodos do Dadaísmo, aponta para a característica de intertextualidade da literatura e da nossa época – o maior exemplo disso é a TV. Comece a passar seus canais.

SOBREVIVENTE antes de tudo. Atravessou quase um século, influenciando e sendo influenciado por um séqüito de artistas das mais diversas estirpes: de Cronenberg a Tom WAITS, passando por David Bowie e sobrevivendo a Kurt COBAIN. Fez ponta em filmes - Drugstore Cowboys de Gus Van Sant; lançou álbum – Dead City Radio. Passa seus últimos momentos pintando e cuidando de gatos. Aos 83 anos finalmente o velho cow-boy parte para sua última viagem, indo em direção as “WESTERN LANDS”, munido “do limite do que poderia ser feito com as palavras”. O último sobrevivente dá adeus ao mundo que pariu apontando o futuro com suas pistolas - ainda devidamente munidas por precaução.

lima

04.14.08

H. P. Lovecraft

Enviado em Literatura às 8:04 am de Fernando Portelada.

Não é segredo que minha coluna literária tem sua base montada sobre livros de terror. Até agora priorizei autores nacionais, mas chega à vez de Howard Phillips Lovecraft, alguém sem o qual a ficção de horror não seria a mesma.

H. P. Lovecraft nasceu em Rhode Island nos Estados Unidos no dia 20 de agosto de 1890. Sua obra não teve tanta influência em vida, mas após a sua morte em 1937, o mundo todo se rendeu a maestria da diabólica mente do escritor.

Durante a infância, era um jovem prodígio. Recitava poesias aos dois anos e começou a escrever aos seis. A grande influência em sua vida lingüística foi seu avô, Whipple van Buren Phillips, já que seu pai morava em uma casa de repouso devido a uma crise nervosa. A saúde do autor enquanto criança era muito debilitada. De acordo com os médicos da época, Lovecraft sofria de poiquilotermia, o que deixava sua pele sempre gelada ao toque.

A trágica história de sua família repetiu-se quando o mal que acometeu seu pai caiu sobre ele, um ataque de nervos o impediu de conseguir o diploma do ensino médio e juntamente com a morte de seu avô levou a família a um estado de pobreza lamentável.

Durante seu trabalho como Jornalista, que durou um curto período, Lovecraft conheceu Sonia Greene, com quem viria a casar. A união durou muito pouco, no entanto, o período de divórcio foi o mais produtivo na vida do escritor. Nessa época foram escritas duas de suas mais extensas obras: O caso de Charles Dexter Ward e Nas Montanhas da Loucura.

Seus trabalhos são focados principalmente no subconsciente e no simbolismo, já que a maioria deles foi inspirada por seus constantes pesadelos. A referência a horrores ancestrais e divindades antigas gerou uma espécie de mitologia chamada de Chtulhu Mythos. Expressão essa criada após sua morte pelo também escritor August Derleth.

H.P. Lovecraft, criou durante todos esses anos uma legião mais que fiel de fãs. Algumas músicas foram inscritas tendo como inspiração seus contos fantásticos. Call Of Cthulhu do Metallica e Cthulu Dawn do Cradle Of Filth são bons exemplos. Diferente de Vianco e Magrini, sua narrativa não cria situações de perder o fôlego, é um terror psicológico bem dosado, faz-nos ter medo de virar a próxima página. Seus clássicos merecem permanecer na memória dos adoradores do gênero por muitos anos.

 

 

 

04.07.08

O Português do dia-a-dia

Enviado em Literatura às 12:11 pm de T.J.

Hoje a dica literária fugiu dos padrões clássicos da literatura brasileira e de terror, passando para um guia prático e de grande ajuda. Percebi e resolvi fazer isso a partir do momento em que as pessoas olhavam para ele e diziam: “nossa que legal, onde você comprou?”.

Estou falando do livro “O Português do dia-a-dia” do professor Sérgio Nogueira Duarte da Silva, aquele mesmo que está todo sábado no Caldeirão do Huck no quadro “Soletrando”.

É como uma gramática reduzida, com aquelas pequenas dúvidas que aparecem todos os dias, na hora de saber a escrita correta, a regra, enfim todas as interrogações que rondam a nossa complexa língua.

Já no início, depois da apresentação “em vez de prefácio… alguns depoimentos” de advogados e jornalistas, entre eles Fátima Bernardes, William Bonner e Sandra Annenberg. É dividido em três partes, a primeira com os aspectos semânticos, a segunda com os aspectos gramaticais e a terceira com os aspectos estilísticos.

Com uma linguagem clara e detalhada (praticamente desenhada), temos um pequeno manual, porém completo, de como “estudar, entender e praticar” o nosso idioma. Garanto é bom ter esse livro sempre por perto.

04.06.08

Reforma ortográfica no Brasil

Enviado em Literatura às 9:39 am de T.J.

A mudança ortográfica da língua portuguesa deve começar a ser implantada no Brasil a partir de janeiro de 2009, com um prazo de transição de três anos para que a nova ortografia seja plenamente adotada.

Esta é a proposta elaborada pela Comissão para Definição da Política de Ensino-Aprendizagem, Pesquisa e Promoção de Língua Portuguesa (COLIP). Até o fim de 2011 as duas normas ortográficas serão aceitas, mas, a partir desta data, todos os livros didáticos e provas para concursos e para ingresso em universidades brasileiras terão de estar de acordo com a nova ortografia.

A proposta da COLIP prevê ainda a elaboração de um vocabulário ortográfico comum à língua portuguesa, que será produzido pela Academia Brasileira de Letras (ABL).

A adesão de Portugal sempre foi considerada fundamental pelo governo brasileiro. Segundo especialistas, as modificações propostas devem alterar 1,6% do vocabulário de Portugal. No Brasil, a mudança será ainda menor, já que apenas 0,45% das palavras terão a escrita alterada.

“A reforma ortográfica dará mais força à língua portuguesa nos fóruns internacionais e no mundo. Acreditamos que será um processo tranqüilo no Brasil, porque as diferenças são pequenas, além disso, recomendamos que haja uma ampla divulgação do acordo ortográfico pelo governo através da imprensa”, disse o presidente da COLIP.

03.31.08

Resenha: Os Filhos de Anansi

Enviado em Literatura tagged às 12:01 am de Fernando Portelada.

Neil Gaiman já apresentou ótimos trabalhos no mundo dos quadrinhos, toda a série Sandman é um exemplo de fanatismo ao redor do mundo. Seus trabalhos na Literatura, apesar de não tão conhecidos, são igualmente mágicos.

E é de um desses livros que venho vos falar hoje. Os Filhos de Anansi.

 

Quase uma continuação de seu romance anterior, Deuses Americanos, Os Filhos de Anansi continua o pensamento folclórico-americano que Deuses antigos continuam vivos, andando e até mesmo interagindo entre nós, mortais.

O livro conta a história de Fat Charlie, que nem ao menos é gordo, um contador introspectivo, tímido e recalcado. E por isso mesmo que a identificação com o personagem é grande, ele é um perdedor como eu ou você.

A trama começa a se desenrolar, quando o pai de Charlie morre. Os dois tinham uma péssima relação pois o coroa costumava colocar seu filho nas mais embaraçosas situações. Apesar de tudo, ele decide ir ao enterro. Chegando lá descobre por meio de uma vizinha que seu progenitor era o antigo Deus africano Anansi, A Aranha, o dono de todas as estórias. No funeral Charlie Nancy também conhece seu irmão, Spyder, que nem sabia da existência e aparentemente herdou todos os poderes de um semideus.

Seu recém descoberto irmão deixa a vida de Charlie um verdadeiro Inferno. O que leva o pacato contador a buscar ajuda nos amigos de seu falecido pai, sem saber que a situação só se complicará.

As palavras do romance fluem naturalmente, é quase frenético o ritmo de leitura que se dá devido à forma que o conto nos envolve. Toda a narrativa é feita de um jeito brilhante por Gaiman que trata de uma maneira absurdamente casual o fato de ainda “existirem” Deuses caminhando pelos tempos modernos. 

Os Filhos de Anansi é uma espécie de clássico moderno, um conto de fadas para adultos. Todo o enredo tem uma escrita leve e despojada, beirando o coloquial, essa maravilhosa obra faz lembrar que mesmo em tempos tão difícies para a boa leitura ainda há aqueles que carregam o dom da escrita.

 

Editora: Conrad
ISBN: 8576161702
Número de páginas: 384

03.24.08

Os sertões

Enviado em Literatura tagged às 12:40 pm de T.J.

Obra clássica do escritor Euclides da Cunha e da literatura brasileira que foi publicada durante a vigência do pré-modernismo, é uma crítica humana, uma cobertura jornalística da guerra de canudos feita pelo autor, que retrata a saga de Antônio conselheiro e seus seguidores. O livro é dividido em três partes: a terra, o homem e a luta, no intuito de mostrar como cada uma dessas divisões tinham influência sobre estes sertanejos sofredores.

Na parte da “terra”, Euclides da Cunha apresenta para o leitor todo o lugar, o interior da Bahia palco da história, com todas as suas particularidades, explicando detalhadamente o cenário, falando também da seca. Já na parte do “homem”, retrata seus personagens, os sertanejos, retirantes, os jagunços, seu líder espiritual “Antônio Conselheiro”, seus costumes, o isolamento ao qual viviam e como a religião sustentava aquele povo. E por último, a parte da “luta”, contando realmente a guerra, de como o incômodo dos políticos com o crescimento da “nova cidade” independente e humilde se tornou um dos maiores conflitos da história brasileira. Primeiramente, tropas foram enviadas ao arraial, mas, não resistiram à seca e a falta de conhecimento do local, não possuíam a mesma resistência dos jagunços, sendo derrotados. Como não podiam perder a batalha, os poderosos da época mandaram novos homens para o lugar, dando início ao extermínio, acabando com milhares de vidas inocentes e miseráveis, que lutaram heroicamente até o último momento, ”Canudos não se rendeu”, tem-se também a opinião do autor quanto à política da época e de como para ele tudo isso não passou de um erro.

Euclides da Cunha vivenciou apenas os últimos momentos da guerra que durou de 1893 a 1897, com um saldo de 25 mil mortes e a destruição total do lugar, é um livro triste, um relato histórico brilhante, que vale a pena ser lido, apesar de ter uma leitura difícil, cansativa (eu mesma quase desisti), um resumo às vezes parece a melhor opção, mas o desafio faz com que você vá até o fim, experimente.

 

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03.23.08

Centenário Machado de Assis

Enviado em Literatura às 1:39 am de T.J.

Quando se fala em literatura brasileira logo vem na cabeça um nome: Joaquim Maria Machado de Assis, pelo menos é o que presencio na maioria das vezes em 19 anos de existência. Não que eu seja uma leitora incondicional de suas obras, ou uma fã fervorosa, mas, no ano em que completamos o centenário de sua morte, reconheço que não é sem motivos o fato de ouvirmos tanto falar nele e que realmente merece o respeito que lhe é dado.

Machado de Assis tem uma história de vida um tanto quanto triste, perdeu sua mãe e sua irmã muito cedo, tinha epilepsia, era gago, mulato e pobre. Até chegar a área profissional, que no início foi triste da mesma forma, começou como vendedor de doces, principiante de tipógrafo, depois jornalista, revisor de textos, funcionário público, escritor de contos e romances, autor de poemas, crônicas e peças teatrais, até se tornar o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, fundada em 1897 no Rio, e por ser o primeiro presidente da Casa, a Academia também recebe o nome de Casa de Machado de Assis.

Em seus textos aborda temas universais como a crendice, a existência, psicose, matrimônio e as contestações sociais. Machado do alto de sua “importância”, não pode ser resumido, o que na maioria das vezes acontece a “Memórias póstumas de Brás Cubas” e “Dom Casmurro”, clássicos que todo “bom mortal” já leu,pois suas obras são divididas em duas fases,a primeira que é a romântica e a segunda fase a realista.

Por isso, como “pobre mortal que sou”, junto com o unanimidade que acredito não ser burra, admito que Machado de Assis é sim um dos maiores escritores do Brasil e do mundo,(mesmo não simpatizando muito com as experiências envolvendo seu nome),por toda sua história de vida e um legado literário excepcional deixado ao povo brasileiro, por este grande homem e autor que deve ser lembrado para sempre.

Machado de Assis 1839-1908 “Eu não sou homem que recuso elogios. Amo-os; eles fazem bem à alma e até ao corpo. As melhores digestões da minha vida são nos jantares em que sou brindado”.

“Está morto podemos elogiá-lo à vontade”.

 

03.17.08

Resenha: Relâmpagos de Sangue.

Enviado em Literatura tagged , às 10:06 am de Fernando Portelada.

Uma vez um professor me disse que o objetivo da resenha é fazer o leitor se interessar (ou não) pelo objeto resenhado. É mais ou menos com isso em mente que começo a escrever meus textos. Sejam eles sobre música, cinema ou literatura.

É exatamente desse último que venho vos falar hoje, já que é segunda feira.

Após conhecer Vianco e devorar toda suas obras, me interessei pela editora Novo século. Sua abertura para os novos escritores de terror me fascinava. Entre tantos lançamentos atraentes, que hoje descansam em minha estante, um deles ocupa lugar de destaque: Relâmpagos de Sangue.

O livro, escrito por Nelson Magrini, conta a história de Sara e Josimar, que ao decorrer de um mês começam a ter horríveis visões envolvendo sangue e tempestades. Esses lapsos atrapalham a sua vida a ponto de quase os enlouquecerem. Ambos partem em uma viagem para a fictícia cidade de Germinade, no interior de Minas para perseguir tais fenômenos e elucidar a verdade.

A grande diferença entre os dois escritores que já tive o prazer de indicar neste espaço, é que André Vianco faz uma narrativa de ação, cheia de morte e quase com cheiro de sangue. Magrini não. Autor do também ótimo Anjo, A face do Mal, Nelson conta os fatos de uma forma misteriosa, criando uma atmosfera extremamente tensa, quase palpável. Um verdadeiro Terror psicológico.

As alucinações, ilusões e aparições do livro quase que saltam das linhas. Se fosse um filme, as menininhas gritariam no cinema. Algo completamente normal, como uma tempestade, é transformado em algo diabólico e maligno.

É criada uma grande variedade de personagens no decorrer da trama, mas nem por isso eles são esquecidos ou trabalhados de forma pobre como acontece por aí. Somos levados a tal nível de imersão, que não são raras as horas em que torcemos por alguém ou que ansiamos por algum acontecimento específico.

O mais impressionante nesse livro, é que eu fui até o final completamente às escuras, só fui entender o que estava se passando nas últimas páginas. O desfecho é realmente surpreendente.

Logo, para quem gosta de terror nacional de qualidade, uma história diferente de tudo que vemos por aí, Relâmpagos de Sangue é leitura obrigatória. Recomendo!

 

Dados técnicos:

Editora: Novo Século
ISBN:
8576790599
Número de páginas:
414

 

Para saber mais: Orkut de Nelson Magrini. Entrevista Sombrias Escrituras. Entrevista por Eric Novello.

03.10.08

“O GUARANI:literatura da terrinha!”

Enviado em Literatura às 1:12 am de T.J.

 

Sei que muitos não gostam de literatura brasileira (inclusive meu parceiro de blog F.P)mas, em alguns surtos de patriotismo tento incessantemente enaltecer e defender as obras da “terrinha” , leio e não me arrependo e o maior exemplo disso é um livro que li na 6º série e até hoje sou apaixonada,um clichê que quase todo mundo já leu, “O Guarani” de José de Alencar.

O autor escreveu o livro em 1857, momento de vigência do romantismo, só que com características do nosso país,com o mito do herói nativo na figura do índio Peri, o mito do “bom selvagem”. A história passa-se no estado da Paraíba, às margens do rio Paquequer, onde morava a família do fidalgo português D.Antônio de Mariz, composta por sua esposa D.Lauriana, seus filhos D.Diogo, e Cecília, moravam também nesta casa D.Isabel, filha de D.Antônio de Mariz com uma índia, D.Álvaro, nobre cavalheiro que amava Cecília só que até o final da trama se apaixona por Isabel, temos ainda Aires Gomes e o estrangeiro Loredano, ex-padre que vivia a procura de um tesouro, sonhava matar a todos e casar-se com Cecília, enfim era um albergue.

No desenrolar da trama, D.Diogo, mata uma jovem índia da tribo dos Aimorés, que voltam para vingar-se de toda a família. Peri, no intuito de salvar a todos, toma veneno e resolve entregar-se a tribo, sabendo que são antropófagos, queria matá-los envenenados, mas seu plano não deu certo, pois D.Álvaro o salva, ele toma um antídoto e Álvaro não possui a mesma sorte, não consegue resistir aos ferimentos da batalha travada com alguns índios e morre. Isabel sabendo da morte de seu amado, suicida-se.

Enquanto isso, os Aimorés cercavam cada vez mais a casa e D.Antônio vendo que não tinha mais saída, pede que Peri torne-se cristão e salve Cecília.Os dois fogem pelo rio Paquequer e a casa explode matando a todos os índios e portugueses.Cecília (Ceci), ao acordar e saber do que aconteceu,prefere viver com Peri na selva, o autor deixa a entender que vai haver um romance entre eles, e assim termina a história.

É uma trama simples que saiu da cabeça de um brilhante e “arretado” cearense(assim como meu pai!) e que marcou a literatura do nosso país, aos amantes de um bom livro vale a pena ler, ou então para quem já teve esse prazer, reler.

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